O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (20), impulsionado principalmente por ações ligadas ao mercado doméstico e pela melhora do humor dos investidores diante do cenário eleitoral. O principal índice da Bolsa brasileira avançou 1,57%, aos 208.295,98 pontos, com volume financeiro de R$ 41,90 bilhões.
Ao longo do pregão, o indicador oscilou entre 205.082,26 e 208.941,57 pontos. Além disso, o dólar comercial registrou a terceira queda consecutiva e terminou o dia cotado a R$ 5,018, enquanto as taxas dos contratos de juros futuros recuaram.
Para Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, as pesquisas eleitorais ajudam a explicar o avanço da Bolsa e a queda da moeda norte-americana.
“Acredito que a alta de hoje da bolsa tem relação com as pesquisas eleitorais mostrando a possibilidade do Flávio ganhar a eleição, o que abre margem para os investidores abrirem mão da reserva de valor (dólar) e ir para ativos mais de risco (bolsa) na procura de maiores retornos”, afirmou.
Segundo o estrategista, a perspectiva de uma política fiscal mais conservadora em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) também contribui para o movimento. Essa avaliação, no entanto, representa a interpretação do especialista sobre o comportamento dos investidores, em um cenário eleitoral ainda incerto.
Magazine Luiza lidera altas da Bolsa
As ações da Magazine Luiza (MGLU3) lideraram os ganhos do pregão, com valorização de 12,93%, a R$ 13,36. Hapvida (HAPV3) também avançou, com alta de 7,09%, a R$ 9,51.
Confira as cinco maiores altas do dia:
AçãoVariaçãoFechamentoMGLU3+12,93%R$ 13,36HAPV3+7,09%R$ 9,51NATU3+6,76%R$ 7,58VAMO3+6,69%R$ 6,54POMO4+6,42%R$ 4,97
Além do varejo, Marcopolo (POMO4) e Vamos (VAMO3) apareceram entre os destaques positivos. Para Bassani, a expectativa de queda dos juros no médio prazo pode favorecer empresas cujas ações apresentam preços baixos.
No caso da Vamos, o estrategista também destaca as perspectivas de crescimento para os próximos anos. Segundo ele, as projeções indicam expansão dos resultados e do Ebitda em 2027 e 2028, o que pode atrair investidores.
A Hapvida, por sua vez, também figurou entre as maiores altas do pregão, acompanhando o desempenho positivo de ações ligadas ao mercado doméstico.
Embraer, Vale e Suzano recuam
Na outra ponta, Embraer (EMBJ3) liderou as baixas, com queda de 2,01%, a R$ 90,54. Vale (VALE3) recuou 1,27%, enquanto Suzano (SUZB3) perdeu 1,24%.
Veja as maiores quedas do pregão:
AçãoVariaçãoFechamentoEMBJ3-2,01%R$ 90,54VALE3-1,27%R$ 65,52SUZB3-1,24%R$ 42,31BRAP4-0,84%R$ 20,00BEEF3-0,69%R$ 4,31
Bassani avalia que a queda do dólar prejudica empresas com receitas em moeda norte-americana. Além disso, a realização de lucros após altas recentes contribuiu para pressionar alguns desses papéis.
Dólar cai pela terceira sessão consecutiva
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,60%, a R$ 5,018 na venda e R$ 5,017 na compra. Durante a sessão, a moeda oscilou entre R$ 5,005 e R$ 5,042.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, também recuou. O indicador caiu 0,26%, aos 101,71 pontos.
Na avaliação de Bassani, a perspectiva de uma política fiscal mais conservadora pode contribuir para a queda dos juros futuros e estimular a procura por ativos brasileiros.
“Com a possibilidade de Flávio vir a ser eleito e com uma política fiscal mais conservadora, podemos ter uma possível queda da curva de juros no médio prazo”, afirmou.
O estrategista pondera, entretanto, que o mercado ainda opera com cautela. Para ele, o cenário eleitoral continua incerto e pode provocar oscilações nos preços dos ativos nos próximos pregões.
Pesquisas eleitorais seguem no radar dos investidores
O cenário eleitoral também aparece entre os principais fatores acompanhados por Fernando Bresciani, que analisou o fechamento do mercado. Segundo ele, os levantamentos divulgados nos últimos dias contribuíram para melhorar o humor dos investidores.
“O cenário eleitoral continua influenciando o mercado. As pesquisas divulgadas nos últimos dias ajudaram a melhorar o humor dos investidores, embora a disputa permaneça bastante apertada e ainda haja novas pesquisas previstas para esta semana”, afirmou.
Além disso, Bresciani destacou o desempenho das ações do varejo, de Marcopolo e de Hapvida entre os destaques positivos. Por outro lado, Embraer e Suzano recuaram em um pregão marcado pela queda do dólar.
A expectativa é que os próximos levantamentos eleitorais continuem influenciando os negócios. Para Bassani, o debate entre os candidatos e as promessas apresentadas durante a campanha podem aumentar a volatilidade.
“Como o cenário ainda é incerto, na Bolsa de Valores, o IBOV trabalha dentro de uma lateralidade de preço”, avaliou.
O estrategista também considera a sexta-feira (23), véspera da votação, um momento importante para observar o posicionamento dos investidores.
Bolsas de Nova York fecham em direções diferentes
Em Wall Street, os principais índices terminaram o dia com desempenho misto. O Dow Jones e o S&P 500 avançaram, enquanto o Nasdaq ficou praticamente estável, com leve queda.
ÍndiceVariaçãoFechamentoDow Jones+1,02%52.497,42 pontosS&P 500+0,29%7.712,90 pontosNasdaq-0,02%26.424,82 pontos
Os investidores voltaram a avaliar as empresas ligadas à inteligência artificial (IA), principalmente diante das preocupações com os preços elevados dos papéis e a possibilidade de realização de lucros.
Além disso, o mercado acompanha a relação entre os juros elevados, os investimentos em tecnologia e as perspectivas de retorno das grandes empresas do setor.
Petróleo recua e investidores acompanham tensão geopolítica
No mercado de petróleo, o contrato do WTI com vencimento em novembro fechou em queda de 1,80%, a US$ 101,79 por barril.
O Brent também virou para queda depois de atingir US$ 111 durante o pregão, em meio às tensões geopolíticas e aos ataques envolvendo os houthis.
Enquanto isso, os investidores continuam atentos às possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã. O cenário internacional, portanto, segue como um dos fatores que podem influenciar os preços das commodities e o comportamento das bolsas.
IPCA-15 e balanços entram no radar
Para os próximos dias, a agenda econômica brasileira também deve orientar os negócios. O principal destaque será a divulgação do IPCA-15 na sexta-feira (23).
Além disso, a temporada de resultados corporativos começa a ganhar força. Segundo Fernando Bresciani, os balanços podem trazer sinais mais claros sobre o ritmo de desaceleração da economia e evidenciar diferenças entre empresas e setores.
Dessa forma, os investidores devem continuar atentos à combinação de pesquisas eleitorais, juros, commodities e resultados corporativos. Apesar da alta desta terça-feira, a incerteza sobre a disputa presidencial mantém o cenário sujeito a oscilações nos próximos pregões.
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